Formação de Sintomas

Como se forma o sintoma?

Antes de entender como o sintoma se constitui, é necessário introduzir outro conceito freudiano, a pulsão.

Pulsão- Processo dinâmico que consiste numa pressão ou força que faz o organismo tender para um objetivo. Segundo Freud, uma pulsão tem a sua fonte numa excitação corporal; Seu objetivo ou meta é suprimir o estado de tensão que reina na fonte pulsional; É no objeto ou graças a ele que a pulsão pode atingir suas metas. (Laplanches e Pontalis, 1995 p.394)

Brevemente, para um entendimento rápido, lê-se a pulsão como um “combustível” para a vida (ou morte), seria ela, nossas relações com o mundo e nós mesmos. Energias psíquicas são geradas pela pulsão e precisam ser escoadas através do aparelho de princípio de prazer-desprazer em uma descarga de sofrimento ou satisfação.

Essas duas forças, buscam o equilíbrio- descarga do prazer vs a retenção do prazer- evitando a “overdose” de prazer. Como por exemplo: Comer…comer…comer…. Sem a saciedade do alimento. A energia acima do limiar é sentida como desprazer e a energia constante é igual a prazer. Assim, a função do corpo é ordenar as energias em intensidades, evitando acúmulos.Formação de Sintomas

A pulsão pede um objeto, mas que não é especifico, mas que se liga a pulsão pela sua peculiar aptidão para possibilitar a satisfação, que está ligada a história do sujeito, aos seus desejos e fantasias. O objeto não é concebido como uma coisa do mundo que se oferece a percepção mas como uma síntese de representações que Freud denomina de “representação-objeto” […] (Noll, Sonia Maria, 2017)

Este objeto, lembrando entre parênteses, não satisfará a pulsão, este serve para marcar uma falta. Para a pulsão o objeto estará sempre perdido.

Uma fixação no ego ocorre quando a pulsão se liga fortemente ao objeto, gerando uma satisfação estranha e dolorosa, porém, onde se obtém prazer. Essa satisfação desequilibra as energias e regride a uma situação traumática que não tem nome.

O ego expulsa a pulsão fixada, afim de eliminar o desprazer do trauma. A esse processo chamamos de recalque. O conteúdo recalcado quer retornar à consciência, porém é impedido e disfarça-se em fantasia, esta que tem papel fundamental na formação do sintoma por conservar as representações dos primeiros objetos traumáticos agora deslocados e condensados. A Fantasia dá um novo caminho ao trauma através do sintoma, por isto, agora o sujeito passa a apresentar medo de elevador, borboletas, compulsão por comer, sem um motivo aparente, disfarçando o trauma (pulsão) original. Exemplo: O sintoma de um medo inexplicável de altura, não está propriamente relacionado altura em si, mas relaciona-se com um trauma vivido anteriormente onde o inconsciente recalcou (para proteção desse sujeito) o conteúdo original, entretanto, a pulsão desse trauma faz pressão a consciência para retornar. Como esta barrada pelo recalque, disfarça-se em fantasia de altura sinalizando ao sujeito que seu trauma esta envolto nessa situação.

Formação de Sintomas

 

Tomando o medo de altura como objeto de análise, paciente e analista podem chegar ao trauma original investigando o que a altura em si representa ao paciente, e só assim, eliminar o sintoma. Ignorar o sintoma, não o faz desaparecer, apenas o camufla e faz ressurgir em broto de flor.

Portanto, sintoma não é a causa em si e não deve então, ser prontamente eliminado. Se utilizará deste com fio condutor de analise até o objeto traumático, identificando-o e reisignificando-o, mantendo então, o processo de equilíbrio e escoamento das pulsões.

 

Dra Debora - R2 Psicologia

Débora Burchardt Hames

Graduada pela Associação Catarinense de Ensino- Guilherme Guimbala 2015.
Pós Graduação em teoria psicanalítica pela Associação Catarinense de Ensino 2017.
Psicoterapia fundamentada na psicanálise
CRP 12/14920

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