A ginasta norte-americana Simone Biles desistiu de competir nas finais das Olímpiadas de Tóquio e abriu um debate importante sobre saúde mental.

A ginasta norte-americana Simone Biles desistiu de competir nas finais das Olímpiadas de Tóquio e abriu um debate importante sobre saúde mental. Especialistas ouvidas pelo 6 Minutos dizem que no mundo corporativo existem muitas pessoas que precisam dizer ‘não’, como Biles, mas não conseguem. Em casos extremos, o funcionário pode desenvolver síndrome de Burnout, depressão e ansiedade.

“Existe vida além do trabalho. Sua carreira não é baseada em um ‘não’ que você diz, mas da postura do dia a dia e das suas entregas. O que acontece muitas vezes é que não falamos ‘não’ na hora certa e a sobrecarga prejudica as entregas e a produtividade”, afirma Erika Moraes, gerente de recrutamento da Robert Half.

Especialistas dizem que a atitude Biles, que priorizou a saúde mental em detrimento de uma possível medalha olímpica, deve inspirar quem está enfrentando problemas para buscar ajuda.

“Esse tipo de atitude encoraja as pessoas a admitirem que têm fraquezas, que são seres humanos. Se até a melhor do mundo, que se preparou e esperou quatro anos para as Olimpíadas, está dizendo que não dá conta, por que nós não podemos falar ‘não’? Eu vejo como uma excelente forma de encorajar as pessoas a assumirem suas vulnerabilidades e se colocarem em primeiro lugar”, afirma Moraes.

Quais os sinais de que é hora de parar? Não existe uma regra, cada um apresenta sinais diferentes. O segredo é o autoconhecimento para perceber quando a situação está fugindo do controle. Mesmo sem uma lista certa de sintomas, as especialistas elencam alguns que são comuns: baixa autoestima, agressividade, irritabilidade, problemas de memória, falta de motivação, procrastinação excessiva e incômodos físicos, como dores de cabeça e insônia.

“Às vezes as pessoas vão se acostumando com os sintomas, mas isso não é certo. O foco precisa ser prestar atenção em nós mesmos. Se a situação está se prolongando demais, vale a pena procurar um profissional para tentar entender o que está acontecendo”, afirma Jacqueline Resch, consultora e sócia-diretora da Resch RH.

Para Resch, a inteligência emocional é fundamental para evitar esgotamento mental e o grande perigo é que mesmo o profissional que gosta do trabalho que faz sucumba a pressões excessivas. “É um sinal de saúde mental poder dizer ‘chega’. Acho que temos que tomar cuidado com a sedução de que podemos tudo, da onipotência. Uma hora não dá mais”, afirma.

Como começar a jornada de autoconhecimento? Bianca Machado, gerente sênior B2B da Catho, indica o mindfulness, um método de meditação com foco em atenção plena no presente. “Pensar muito no passado ou no futuro gera ansiedade e depressão. Quando você treina para o presente, consegue estabelecer seus limites e passa a respeitá-los”, afirma Machado.

Outras indicações são praticar exercícios físicos e buscar ajuda especializadas, como mentorias, coaching e até mesmo terapia. Já que não tem recursos para investir, pode buscar por conteúdos e cursos gratuitos na internet.

Como as empresas podem ajudar o funcionário? O empregador deve sempre manter o diálogo aberto e acompanhar as atitudes dos colaboradores. Se uma pessoa que era muito motivada muda de comportamento e começa a ter problemas nas entregas, por exemplo, é hora de ficar alerta.

Para as especialistas, as empresas estão se tornando cada vez mais abertas e preocupadas com a saúde mental dos funcionários. “Esse movimento começou há uns 10, 15 anos, e a pandemia cristalizou essa onda. Percebemos que as empresas também podem ajudar a construir ambientes melhores, despertar o protagonismo de cuidado nas pessoas e, consequentemente, conseguir um aumento de produtividade”, afirma Machado.

A cultura de dizer “sim” para tudo tem muito a ver com a forma como gerações anteriores trabalhavam e viviam. Os baby boomers (entre 60 a 80 anos) e a geração X (entre 40 a 60 anos), por exemplo, viveram crises mais intensas, com períodos de guerra e inflação descontrolada.

“Essas crises foram tão fortes e o desemprego era tão alto que o medo de perder o emprego era muito maior. As pessoas sempre falavam que ‘sim’ pensando que ‘manda quem pode, obedece quem tem juízo’. Com os casos de ansiedade, estresse e depressão crescendo e isso refletindo negativamente nas organizações, elas começaram a pensar em formas de ter colaboradores mais felizes, saudáveis e emocionalmente seguros. Isso traz mais resultados para todos”, afirma Machado.

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