A Neuropsicologia avalia a função cerebral a partir do comportamento cognitivo, sensorial, motor, emocional e social do indivíduo (Lezak, 1992). Aplica-se a bebês e crianças, adultos e idosos. 

A Avaliação Neuropsicológica é o estudo detalhado das funções cognitivas, emocionais e comportamentais, sendo considerada uma avaliação funcional do cérebro. Esta avaliação além de fornecer  importantes informações diagnósticas sobre a criança, apresenta um papel fundamental do ponto de vista preventivo, sendo a identificação precoce dos transtornos do desenvolvimento um fator  fundamental para estabelecer e estruturar rotinas de tratamentos e orientações com foco na prevenção de dificuldades ou transtornos mais sérios em outras etapas da vida.

Através de instrumentos psicométricos, escalas do desenvolvimento e análise qualitativa da produção do paciente, consegue-se identificar precocemente alterações no desenvolvimento cognitivo e comportamental, nos permitindo avaliar as seguintes funções cognitivas: praxias; gnosias; habilidades visuo-perceptivas, construtivas e espaciais; velocidade de processamento de informação; linguagem; memória; funções executivas (flexibilidade mental, abstração, formação de estratégias e de conceitos, atenção e concentração) e eficiência intelectual.

Entre as principais queixas escolares e até mesmo familiares são freqüentes: 1) Problemas de Aprendizagem; 2) Queixas de atenção e agitação; 3) Dificuldade para memorizar conteúdos acadêmicos; 4) Dificuldade em compreender instruções de ordens mais complexas; 5) Dislexia/ Discalculia; 6) Transtornos de Linguagem; 7) outros

Estas queixas acabam despertando dificuldades emocionais e comportamentais nas crianças, que passam a apresentar comportamentos opositores, desafiadores, mutismo seletivo, agressividade, passividade, condutas indevidas frente ao ambiente escolar, familiar e social.

Observando-se claramente que alterações do funcionamento cognitivo interferem diretamente em alterações do comportamento e vice versa.

 

Dessa forma, a Avaliação Neuropsicológica Infantil caracteriza o modo como ocorre o funcionamento neuropsicológico de cada criança e de que forma este funcionamento interfere nas funções cerebrais e consequentemente sua influencia na aprendizagem.

 

A avaliação permite realizar diagnósticos precoces e diferenciais, proporcionando intervenções terapêuticas que contribuem e reestabelecem as funções cognitivas com funcionamento inadequado, visto que o cérebro da criança encontra-se em desenvolvimento e é plenamente favorecido pela Neuroplasticidade ou Plasticidade Neuronal , que refere-se à capacidade do sistema nervoso de mudar e adaptar-se funcionalmente e estruturalmente.

 

Além das indicações relacionadas à dificuldade de aprendizagem, desatenção e hiperatividade, indica-se a avaliação neuropsicológica para autismo, síndromes genéticas doenças neurológicas, transtornos invasivos do desenvolvimento e outros.

 

O mais importante, é que os Pais e a Escola se dêem conta da criança como um todo, observando constantemente seu desempenho cognitivo, seu comportamento, suas potencialidades e dificuldades, habilidades sociais e adaptativas. Buscando sempre que necessário o auxilio de um profissional.

Texto de:

Simone S. Drigo – Neuropsicóloga e Psicóloga Clínica da Clia Psicologia Saúde e Educação

cliapsicologia.com.br

Somatização e Retroflexão – Quando o corpo aguenta o que as palavras não dizem: Durante a terapia, Ana se queixava de muitas dores físicas. Sentia dores de cabeça freqüentes e intensas que apareciam de repente, muito cansaço, dores de garganta e tonturas ocasionais.
Toda a sua angústia estava focada no seu físico, a principal causa do seu desconforto emocional. Seus pensamentos e preocupações giravam em torno de sua saúde e por isso consultava o seu médico muitas vezes.

Em uma das visitas, o terapeuta pediu para ela fechar os olhos e se concentrar nas sensações do seu corpo. Ela foi guiada por diferentes partes do corpo, até chegar no rosto. Naquele momento, Ana percebeu que seu rosto estava tenso e sua mandíbula bem fechada. O terapeuta pediu para ela exagerar o gesto e mantê-lo por um tempo. Ana fechou os dentes com força e, depois de um tempo, começou a sentir uma dor muito semelhante à da enxaqueca. Depois de relaxar a mandíbula, ele pediu para ela repetir o gesto, mas desta vez, mostrando os dentes e fazendo movimento. O terapeuta perguntou: “O que a sua boca pede pra você fazer?” E Ana respondeu sem pensar muito “Morder…” Então ele perguntou: “O quê ou quem você quer morder?”

Quando você não fala, o corpo sente. Quando não há consciência clara da emoção, ela é expressa através do corpo. A dessensibilização é um bloqueio que nos impede de ser conscientes de nossas necessidades emocionais. Na maioria das vezes que essas necessidades não alcançam a consciência, o corpo é cobrado por causa da energia mobilizada pela necessidade emocional. O exemplo mais claro que podemos citar é a expressão emocional da raiva. Ana sentia raiva sempre que seu chefe lhe pedia para fazer uma tarefa que considerava desleal ou excessiva em relação à prazos. A saída adequada para essa raiva é estabelecer um limite, ou seja, simplesmente dizer ao seu chefe coisas como: “Acredito que não posso atender seu pedido até essa data”, “Vou fazer um esforço, mas eu já estou trabalhando no limite e você precisa contratar mais pessoas”, etc. Por razões relacionadas com a sua história biográfica, Ana não poderia expressar ou sentir claramente que estava com raiva. Ela aprendeu que devia se sentir continuamente grata ao avô que a criou, e que não é permitido mostrar qualquer raiva ou insatisfação. Dessa forma, foi depositado em seu corpo uma pegada biológica de raiva: os braços e os ombros tensos, sua mandíbula fechada, etc.

Em casos como o de Ana, a energia muscular necessária para expressar uma emoção mobilizada é selada imediatamente, o resultado é uma postura muscular crônica. Esta armadura muscular, por um lado, é uma fonte de desconforto físico, por outro, serve como uma descoberta da angústia, visto que, geralmente, as pessoas não são conscientes de como se sentem até que haja uma mudança física. Neste caso, por exemplo, seria quando o terapeuta convida Ana a exagerar uma posição particular e meditar em como a dor se origina, ou mobilizar / ou relaxar os músculos envolvidos.

Na Terapia Gestalt, chamamos de retroflexão o processo pelo qual a energia usada para expressar certa necessidade emocional é mobilizada sem emoção, podendo se tornar consciente. Nestes casos, as pessoas geralmente caem em processos como: “faço comigo o que eu não posso fazer à minha volta”, ou seja, a energia mobilizada volta contra si mesmo. Esta forma de bloqueio emocional pode ser a fonte de sintomas muito diferentes: desde pacientes como Ana, que carrega uma tensão muscular psicossomática, ataques de ansiedade e comportamentos como roer as unhas, até pacientes em um nível mais cognitivo que acabam se enchendo de culpa porque não conseguem expressar com clareza a raiva que sentem no momento.

Em muitos momentos de nossas vidas, nos deparamos com uma sensação de vazio. Ela acontece em diversos momentos da vida, por várias razões, por exemplo, por sentir falta de alguma coisa em sua vida.
Podemos abandonar a nós mesmos inconscientemente e até mesmo em situações inusitadas. Seja por depressão e falta de motivação, ou por estar se esforçando ao extremo para obter a perfeição e a aprovação dos outros.
Isto também acontece quando mudamos prioridades como trabalhar e deixar de dormir, fazer exercício, gerando uma carga de stress alta que desencadeia a ansiedade e a depressão.
Seja como for, a sensação de vazio pode ser sintoma de várias coisas. Desde uma simples mudança em nossa vida, como até de algum transtorno mais grave.
Caso você percebeu que tem este vazio, é importante procurar um psicólogo.

Ele poderá descobrir as causas do vazio e lhe dar o tratamento adequado.

 

 

Psicóloga Gláucia - R2 PSICOLOGIA

Psicóloga Glaucia Alves Velloso Bueno

CRP: 12/15665
Graduação em Psicologia pela Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE)

Conversamos com especialistas para desfazer os mitos que rondam os consultórios e convencer você (e seu parceiro) de que chegou a hora de discutir a relação

R2 Psicologia | Terapia de Casal

Ainda tem quem encare a terapia de casal como o último recurso de uma dupla infeliz às vésperas do divórcio. Não é. Cada vez mais, ela pode e tem sido usada para solucionar um conflito entre parceiros que anda emperrando a vida a dois. Aliás, de maneira geral, quanto antes se buscar auxílio, melhor. “Senão, pode ser tarde demais”, avalia Ailton Amélio da Silva, professor de psicologia da Universidade de São Paulo (USP) e autor de Relacionamento Amoroso (Publifolha), entre outros livros do gênero. “É comum o casal procurar um profissional só quando já há muito desgaste e mágoa na relação. Aí, fica difícil mesmo reverter o quadro”, admite. Ele e outros três especialistas, todos com larga experiência em atender cônjuges (e mesmo noivos e namorados que ainda não vivem juntos), ajudam a entender melhor do que se trata (ou não) o divã a dois e como aproveitar o tempo em frente ao terapeuta para levar o relacionamento adiante.

1. O objetivo é ficar junto, ou separado e feliz

Manter o casal unido e em harmonia é o objetivo maior. “Se a decisão de se separar já está tomada por ambos, não é necessário procurar um terapeuta, mas um advogado”, resume Flávio Gikovate, psicoterapeuta e autor de livros como Uma Nova Visão do Amor (MG Editores). Caso apenas uma das partes queira o fim ou se ninguém está pensando em terminar, mas os conflitos estão perdurando ou trazendo angústia, então há questões a ser trabalhadas. Qualquer que tenha sido o motivo, se depois das sessões cada um resolveu ir para o seu lado, não significa que o processo deu errado. “Se for para se divorciar, que a separação se dê de forma amena para o bem de cada um e dos filhos, se houver. A tendência é que os conflitos se agravem no momento da separação. Nisso, o profissional pode ajudar bastante”, diz Gikovate.

 

2. A vida amorosa não tem que ser um mar de rosas

“Em um relacionamento, vários elementos entram em jogo”, lembra Ailton Amélio. Da história de vida ao temperamento de cada um, passando pelo comportamento na cama. E da mesma forma que há uma variedade de temas envolvidos, há também  possibilidades de desacordos. A questão não é evitá-los, mas ter capacidade de lidar com eles quando aparecem. “Isso pode significar tanto solucioná-los como decidir que vale a pena conviver com eles”, diz o psicanalista Luiz Hanns, autor de A Equação do Casamento (Companhia das Letras).

 

3. Nem tudo se resolve com conversa

O diálogo pode ser curativo em muitos casos, mas não é a saída para tudo. “Às vezes, o conflito não tem solução, mesmo que os dois se gostem”, diz a psicanalista Mena Mota, de São Paulo. Isso em geral ocorre quando os projetos de vida são muito distintos – um quer filhos, o outro não, por exemplo. “Entrar em acordo pressupõe abrir mão, o que faz parte de toda relação. Mas, quando as visões de mundo são muito diferentes, pode acontecer de um se anular para satisfazer o outro”, afirma. Essa estratégia, aprende-se (quase) sempre, costuma ter tempo limitado.

 

4. O processo às vezes é desgastante

Para Hanns, muitos têm mais resistência à terapia conjunta porque ela em geral surge em função de conflitos. “Na individual, cada um apresenta só sua versão dos fatos”, acrescenta. “Na de casal, sua visão pode ser contestada pelo outro, gerando confronto.” Choro e até ofensas são reações comuns. E aí cabe ao profissional ajudar a organizar a conversa.

 

5. Não há juiz

O papel do terapeuta é o de mediador, não de fã de um dos parceiros nem tampouco de juiz da situação ou dono da verdade. “Cabe ao bom profissional procurar entender aqueles indivíduos e o casal como um todo. Ele é como um hacker que tenta entrar no software de cada um para buscar um ponto de convergência entre ambos e fazer a costura”, pondera Gikovate.

 

6. Você não precisa contar tudo

Na terapia individual, todo conteúdo que o paciente apresentar é bem-vindo, inclusive devaneios que passam pela cabeça, fantasias, sonhos… Mas, quando a sessão é dividida, algumas questões podem ser mantidas do lado de fora – e até devem. “É claro que tem de haver uma boa dose de entrega, mas não é preciso falar tudo”, avalia Hanns. “Certa vez, uma paciente disse que o ex era mais bem-dotado. O marido ficou magoado e não conseguiu superar isso. A vida sexual ficou prejudicada. São coisas que podem vir à nossa mente, mas que, se o outro souber, são capazes de fazer um estrago.” Dê prioridade ao que vem provocando angústia e que, compartilhado com o outro, pode levar a uma nova etapa do relacionamento.

 

7. O problema pode ser pontual

A terapia também é útil (e muito) para resolver situações específicas, como dificuldades para chegar a um acordo sobre as finanças ou a educação dos filhos e até transtornos no relacionamento com os parentes, por exemplo. “Já trabalhei de forma bem-sucedida vários tipos de questões mais focadas em três meses de terapia”, conta Mena.

 

8. Não basta ir, tem que participar

Como na terapia individual, é preciso sentir empatia pelo profissional e se envolver com o processo. “É muito comum que um dos parceiros não esteja disposto a se expor ou investir na relação, enquanto o outro está”, diz Hanns. “Cabe ao terapeuta perceber isso e trabalhar a questão. Até porque, se a indisposição permanece, o trabalho fica inviável.” Em casos assim, é possível que se proponham algumas sessões individuais para entender o que está acontecendo. “Às vezes, preparo o paciente sozinho para que ele se expresse melhor em conjunto”, explica Mena.

 

9. O que acontece no consultório fica no consultório

 

Vocês dois são reservados e ficam desconfortáveis com a ideia de se expor? “Nem detalhes da profissão eu pergunto”, afirma Gikovate. E a privacidade é sempre respeitada. Mesmo o que se fala no divã individualmente, se houver sessões só com um dos parceiros, não é compartilhado na conversa a dois sem autorização. Mais: os terapeutas não costumam debater os problemas dos pacientes na mesa de bar. “Se necessário, por motivos profissionais, falo com colegas sobre algum caso, mas omitindo nomes e detalhes para que os pacientes não sejam identificados”, diz Silva.

 

10. Se quiser, volte sempre

Os casais podem retomar as sessões depois de meses ou anos longe do consultório. “Tenho pacientes que são cíclicos”, diz Silva. “Outros resolvem a questão que os trouxe e não aparecem mais.” O retorno pode se dar por um novo motivo ou pelo mesmo. Longe de sinal de fraqueza, indica maturidade – para resolver o que perturba a relação.

 

*matéria retirada do site “REVISTA CLÁUDIA”

Existe um ditado que diz que a saúde vem em primeiro lugar, porém consultar-se com um médico pode trazer alguns medos que fazem com que alguns mitos sejam criados. Não seria diferente com um profissional que cuida do seu sistema digestório, dessa forma, além dos medos e mitos sobre o proctologista existem muitos tabus relacionados ao seu trabalho.

O que faz um proctologista?

Um médico proctologista é o especialista responsável pelo tratamento e diagnóstico das doenças e infecções ocorrentes no sistema digestório (cólons, reto e ânus). As doenças mais comuns que são tratadas por esse especialista são as hemorroidas, constipação (prisão de ventre), síndrome do intestino irritado, fissuras anais, pólipos, tumores, doença de Crohn e patologias dos orifícios.

Quando consultar um proctologista?

É necessário consultar esse profissional toda vez que exista algum problema que envolva o sistema digestório. Ele irá solicitar exames para que seja feita uma avaliação do seu problema e receitará medicamentos adequados para o tratamento no seu caso específico.

Verdades e mitos sobre proctologista

Nessa profissão existem muitos pacientes cuja pouca informação que têm são baseados em mitos e chegam nas consultas esperando os piores procedimentos. Os mais comuns mitos sobre proctologista são:

-Ao contrário do que muita gente pensa o proctologista atende homens e mulheres;

-Os exames são em sua grande maioria indolores e quando não são causam no máximo um desconforto que pode ser facilmente tolerado;

-Fazer muita força para evacuar e não comer fibras ou ingerir pouca água podem aumentar as chances de desenvolver hemorroidas;

-Pimentas e comidas apimentadas não causam hemorroidas, isso é um mito, porém pode ser um alimento irritante para os tecidos de quem já apresenta o problema;

-Hemorroidas não causam câncer, essas são duas doenças muito diferentes;

-Sentar em lugares quentes também não causa hemorroidas;

-Sexo anal pode causar fissuras e pequenos traumas;

-Mulheres grávidas tem mais propensão a desenvolverem hemorroidas devido a pressão exercida na região pélvica e o aumento de peso;

-Laxantes não causam hemorroidas ou outros quaisquer tipos de traumas anais;

-A alimentação influencia no aparecimento das fissuras do ânus;

-A Fissura não cicatriza sozinha, é necessário procurar um médico

-É possível prevenir o problema de fissuras e hemorroidas;

-Não existem apenas a cirurgia como meio de tratamento para as fissuras;

– Os exames no consultório são muito rápidos;

-A consulta não demora e é suficiente pra prevenir doenças ou detectá-las cedo.

Como atua esse profissional?

Além dos habituais exames clínicos o médico realiza o toque retal que é muito conhecido por detectar o câncer de próstata. O proctologista atua tanto por meio de tratamentos com remédios como com intervenções cirúrgicas quando necessário.

Portanto, vale muito a pena se consultar com um proctologista e cuidar de sua saúde. Não é vergonha ir a esse especialista e sim sinal de que você se importa com o funcionamento efetivo de seu corpo. São poucos minutos que valem ouro para que dúvidas possam ser esclarecidas que podem ser fundamentais para que seja antecipado o diagnóstico de alguma doença.

Especialista esclarece cinco mitos e verdades sobre o Câncer de Próstata

Com visibilidade maior a cada ano, campanha de Novembro Azul tem levado homens a se consultar, fazer os exames preventivos e evitar riscos de desenvolver a doença. Falta de informação ainda é a maior barreira

Outubro Rosa e Novembro Azul têm sido campanhas cada vez mais presentes nos últimos anos. A importância é nobre e se justifica, já que o objetivo é o combate ao Câncer de Mama e ao Câncer de Próstata. O INCA (Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva) estima que 68,8 mil casos foram desenvolvidos em 2014, sendo que, no ano anterior, 13,7 mil homens morreram devido à doença.

Por ter menos tempo, e pela dificuldade natural dos homens em ir ao médico, o Novembro Azul carrega uma dificuldade maior de conscientização. Felizmente, esse cenário tem melhorado, graças também à contribuição das mulheres, que muitas vezes são quem marcam as consultas para os homens de suas famílias.

Para esclarecer as dúvidas que surgem, o professor titular de Urologia da PUC-PR e presidente eleito da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia) Fernando Meyer explica cinco mitos e verdades sobre o câncer de próstata.

2º tipo de câncer mais comum no Brasil

No Brasil, o Câncer de Próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. “Em valores absolutos, é o sexto tipo mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres. Sua taxa de incidência é cerca de seis vezes maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento”, destaca Meyer, que é médico cooperado da Unimed Curitiba.

Exame de próstata

O “temido” exame de próstata é, talvez, a maior dificuldade dos homens em procurar uma consulta urológica. “Atualmente, o exame para afastar ou confirmar o Câncer de Próstata, deve ser feito em todos os homens com mais de 50 anos de idade, ou naqueles com fatores de risco (história familiar e raça negra) a partir dos 45 anos de idade”, detalha o urologista.

Os exames consistem em Toque Retal em que o urologista avalia o tamanho e consistência da próstata e o exame de sangue PSA (Antígeno Prostático Específico). “É importante ressaltar que o exame do toque retal é rápido (dura cerca de 10 segundos), e de extrema importância para o diagnóstico da doença. Aos poucos, os homens têm deixando de lado os tabus e feito o exame, com mais frequência do que antes. A falta de informação e o preconceito são as maiores barreiras”, enfatiza Meyer.

Fator genético

O fator genético é extremamente importante quanto o assunto é Câncer de Próstata. “Pai ou irmão com câncer de próstata antes dos 60 anos pode aumentar o risco de se ter a doença de três a dez vezes, se comparado à população em geral, podendo refletir tanto fatores genéticos (hereditários) quanto hábitos alimentares ou estilo de vida de risco de algumas famílias”, afirma o urologista.

Hábitos saudáveis

“Já está comprovado que uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco de câncer, como também de outras doenças crônicas não-transmissíveis”, recomenda Meyer.

Nesse sentido, outros hábitos saudáveis como fazer 30 minutos diários de atividade física, pelo menos, manter o peso adequado à altura, diminuir o consumo de álcool e não fumar também são indicados.

Cura na fase inicial

Quando o Câncer de Próstata é diagnosticado numa fase inicial, as chances de cura passam de 90%, por isso a importância de fazer os exames periodicamente. “Para doença localizada, a cirurgia, radioterapia e até mesmo observação vigilante (em alguma,s situações especiais) podem ser oferecidos. Para doença localmente avançada, radioterapia ou cirurgia em combinação com tratamento hormonal têm sido utilizados. Já para a doença metastática (quando o tumor original já se espalhou para outras partes do corpo), o tratamento de eleição é a terapia hormonal”, lista o médico.

Fernando Meyer enfatiza ainda que a escolha do tratamento mais adequado deve ser individualizada e definida após discutir os riscos e benefícios do tratamento com o seu médico.

O escritor norte-americano Stephen R. Covey afirma que apenas uma pequena parte dos acontecimentos de nossas vidas depende das circunstâncias. Para ele, somos nós que decidimos o que vai acontecer conosco. Ele batizou esta ideia de ’O princípio do 90/10′. Para explicar, ele usa um exemplo muito simples.

Hoje, a R2 PSICOLOGIA traz para você um pouco mais sobre esta teoria.

O QUE É O PRINCÍPIO “90/10”?

O que acontece é que nunca podemos controlar 10% das coisas que acontecem em nossas vidas. Não podemos evitar que um celular quebre, influenciar o horário do nosso voo, ou controlar o vermelho de um semáforo. Mas podemos controlar a nossa reação a esses eventos.

Os outros 90% são o resultado de nossas reações. O resultado de como nos comportamos em um momento de estresse que não podemos controlar.

ENTÃO IMGAINE ISSO:

Você está tomando café com a sua família. Sua filha sem querer derruba café na sua camisa. Você fica em pé imediatamente e grita com ela, dizendo que ela é uma estabanada. Você fica bravo com a sua esposa porque foi ela que colocou a xícara naquele lugar. Corre para o quarto para mudar de roupa e, ao voltar, vê a sua filha chorando. Ela nem acabou de tomar café e nem preparou a mochila para a escola.

Para completar e como resultado, ela perde a perua escolar. Sua esposa sai correndo para o trabalho e você precisa levar a sua filha no seu carro. Com já está ficando tarde, você começa a correr, infringindo algumas leis de trânsito. Ao chegar ao trabalho atrasado, você percebe que esqueceu alguns documentos importantes em casa. Seu dia começou de maneira horrível e continua igual. Você não vê a hora de que acabe logo. Ao voltar para casa, percebe que a sua esposa e a sua filha estão de mau humor. Existe uma enorme tensão no seu relacionamento.

PORQUE SEU DIA FOI RUIM?

  1. Porque a sua filha derramou o café acidentalemente.
  2. Porque a sua filha perdeu a perua escolar e você teve que levá-la ao colégio.
  3. Porque havia trânsito e você chegou tarde no trabalho.
  4. Porque você reagiu mal à situação.

Obviamente, a resposta correta é a D. Com a sua reação, você perdeu o seu dia e a amizade de sua família. Você não podia fazer nada em relação ao café derramado, mas podia ter controlado a sua reação.

MAS TUDO PODERIA TER SIDO DIFERENTE

O café caiu na sua camisa. Sua filha estava prestes a chorar, mas você diz: “Calma, filha, não tem problema, só tente ter mais cuidado na próxima vez”. Você vai ao quarto, troca de roupa e pega os documentos do trabalho. Volta para a cozinha e vê a sua filha se despedindo pela janela, já dentro da perua escolar. Após se despedir da sua esposa, você sai de casa e chega no trabalho mais cedo, com muita energia.

Dois roteiros completamente diferentes, mas que começam iguais. Tudo é uma questão de como reagimos em relação aos acontecimentos da vida. Claro que você pode continuar culpando os outros pelas suas desgraças, ou mesmo reclamar de como a vida é injusta. Mas isso te ajuda a viver melhor?

APRENDA A REAGIR CORRETAMENTE E NÃO ACABE COM SEU DIA E COM SUA VIDA

Se alguém te ultrapassar no trânsito, deixe. Você não precisa competir. E daí se você chegar alguns minutos mais tarde ao trabalho? Lembre-se da regra 90/10 e não se preocupe com os pequenos problemas.

O voo atrasou e isso vai mudar completamente a sua programação. Não se desespere com os funcionários do aeroporto, eles não têm culpa. Use este tempo para ler e estudar. Conheça outros passageiros e aprenda alguma coisa por meio da conversa.

Você não vai perder nada ao aplicar o princípio 90/10. Acredite: você vai se surpreender com os resultados.

Fonte The 7 Habits of Highly Effective People
Tradução e adaptação Incrível.club

Você sabe o que é tricotilomania? Não?
A tricotilomania é uma desordem comportamental caracterizada pelo impulso incontrolável de arrancar pelos ou fios ou tufos de cabelo, *sobrancelhas e cílios ou, com menor frequência qualquer outra região do corpo (braços,pernas, barba, tórax), o que resulta no aparecimento de uma falha capilar perceptível na região do corpo que sofreu a agressão.

Os portadores do distúrbio se referem a um período de tensão crescente que antecede à pulsão
de puxar e arrancar o pelo ou fio de cabelo, seguido por sensação de alívio e prazer, assim que o desejo é atendido.Estudos clínicos sugerem que, aproximadamente 40% dos pacientes desenvolvem o hábito de engolir os fios, distúrbio que caracteriza a tricofagia.

Como o estômago não tem a capacidade de digerir queratina, eles se acumulam no sistema digestório, chegando ao ponto de formar um bolo compacto, denominado tricobezoar, que bloqueia o trânsito gastrointestinal com consequências graves para a saúde.

Psicóloga Gláucia - R2 PSICOLOGIA

Psicóloga Glaucia Alves Velloso Bueno

CRP: 12/15665
Graduação em Psicologia pela Universidade da Região de Joinville (UNIVILLE)

Uma alegria contagiante pode se transformar em tristeza profunda em um piscar de olhos porque
alguém “pisou na bola”. O amor intenso vira ódio profundo, porque a atitude foi interpretada como
traição; o sentimento sai de controle e se traduz em gritos, palavrões e até socos. E, então, bate uma
culpa enorme e o medo de ser abandonado, como sempre. Dá vontade de se cortar, de beber e até
de morrer, porque a dor, o vazio e a raiva de si mesmo são insuportáveis. As emoções e
comportamentos exaltados podem dar uma ideia do que vive alguém com transtorno de
personalidade borderline (ou “limítrofe”).
Reconhecido como um dos transtornos mais lesivos, leva a episódios de automutilação, abuso de
substâncias e agressões físicas. Além disso, cerca de 10% dos pacientes cometem suicídio. Além
da montanha-russa emocional e da dificuldade em controlar os impulsos, o borderline tende a
enxergar a si mesmo e aos outros na base do “tudo ou nada”, o que torna as relações familiares,
amorosas, de amizade e até mesmo a com o médico ou terapeuta extremamente desgastantes.

Muitos comportamentos do “border” (apelido usado pelos especialistas) lembram os de um jovem
rebelde sem tolerância à frustração. Mas, enquanto um adolescente problemático pode melhorar
com o tempo ou depois de uma boa terapia, o adulto com o transtorno parece alguém cujo lado
afetivo não amadurece nunca.
Ainda que seja inteligente, talentoso e brilhante no que faz, reage como uma criança ao se
relacionar com os outros e com as próprias emoções –o que os psicanalistas chamam de “ego
imaturo”. Em muitos casos, o transtorno fica camuflado entre outros, como o bipolar, a depressão e
o uso abusivo de álcool, remédios e drogas ilícitas.

O QUE É BORDERLINE?

De forma resumida, um transtorno de personalidade pode ser descrito como um jeito de ser, de
sentir, se perceber e se relacionar com os outros que foge do padrão considerado “normal” ou
saudável. Ou seja, causa sofrimento para a própria pessoa e/ou para os outros. Enquadrar um
indivíduo em uma categoria não é fácil –cada pessoa é um universo, com características
próprias.
Os transtornos de personalidade costumam ser divididos em três principais grupos, ou espectros.
Segundo essa classificação, o borderline está no espectro B, que reúne aqueles sujeitos que
costumam ser chamados de “complicados”, “difíceis”, “dramáticos” ou “imprevisíveis”.
Nesse grupo B estão, ainda, os narcisistas, os histriônicos e os antissociais. No grupo A estão
os esquizoides, os esquizotípicos e os paranoides, muitas vezes taxados de “frios”, “esquisitões”
ou “com mania de perseguição”. E no C estão os evitativos, os dependentes e os obsessivocompulsivos (não confundir com o transtorno psiquiátrico), também vistos como “medrosos ou
ansiosos”, “frágeis” ou “certinhos demais”, respectivamente.
O termo “borderline”, que em inglês significa “fronteiriço”, teve origem na psicanálise: esses
pacientes não podiam ser classificados como neuróticos (ansiosos e exagerados),nem como
psicóticos (que enxergam a realidade de forma distorcida), mas estariam em um estado
intermediário entre esses dois espectros. O primeiro autor a usar o termo foi o psicanalista norteamericano Adolph Stern, em 1938, que descreveu o transtorno como um tipo de “hemorragia
psíquica” diante das frustrações.
É comum?
Não há estatísticas sobre a prevalência do transtorno no Brasil. Na população mundial, é estimada
em 2%, embora estudos mostrem que a proporção pode chegar a 5,9% –é que boa parte dos casos
deve ficar sem diagnóstico adequado. Nos ambulatórios de psiquiatria, representa em torno de 20%
dos pacientes. De 8 a 10% dos indivíduos com esse tipo de transtorno cometem suicídio, segundo a
ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria).
O diagnóstico é bem mais frequente entre as mulheres, mas estudos sugerem que a incidência seja
igual em ambos os sexos. O que acontece é que elas tendem a pedir mais socorro, enquanto os
homens são mais propensos a se meter em encrencas, ir para a cadeira ou até morrer mais
precocemente por causa de comportamentos de risco. Quase sempre o transtorno é identificado em
adultos jovens e os sintomas tendem a se tornar atenuados com o passar da idade.

Sintomas do borderline

Veja, a seguir, as principais características, também consideradas critérios de diagnóstico para o
transtorno, e como eles se traduzem no dia a dia de um borderline:
Esforços desesperados para evitar o abandono (real ou imaginado): não é preciso dizer
que o fim de um namoro ou casamento pode deflagrar uma crise. Mas mesmo situações
corriqueiras, como o atraso do terapeuta ou o cancelamento de um encontro, podem ser
interpretadas como sinal de rejeição.
Padrão de relacionamentos instáveis e intensos, caracterizados pela alternância entre
extremos de idealização e desvalorização: é o típico “tudo ou nada”, “amo ou odeio”. O
outro tem que ser perfeito e se errar, passa a ser depreciado. Assim, ao desmarcar uma
consulta, o “melhor psiquiatra do mundo” se transforma em “lixo” e a mãe, que foi sempre
um porto seguro, deixa de ser procurada, porque não atendeu a um capricho, só para citar
alguns exemplos. Também é comum o “border” ficar íntimo rapidamente de alguém,
alimentar um monte de expectativas e, logo depois, cair em frustração.
Perturbação da identidade ou instabilidade acentuada e persistente da autoimagem ou
da percepção de si mesmo:a interpretação dos atos dos outros modela a imagem que o
borderline constrói para si. “Ele não quis transar, porque devo ser feia”; “Tenho ‘dedo podre’
para relacionamentos”; “As pessoas se afastam de mim porque eu sou mau”… É frequente a
pessoa se sentir um estrangeiro sem lugar no mundo. E a saída pode ser virar camaleão para
tentar se adaptar a alguém ou à turma idealizada naquele momento: o borderline pode trocar
de crenças, valores, carreira e até visual em curtos espaços de tempo.
Impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente autodestrutivas: para aplacar
as sensações de vazio ou de rejeição, é comum recorrer a comportamentos que trazem alívio
imediato. Eles podem se traduzir em compras compulsivas, abuso de álcool ou drogas,
comportamentos sexuais de risco, direção perigosa, compulsão alimentar ou dietas restritivas
demais. Os próprios relacionamentos (ou a sensação de ser amado e aceito que eles
proporcionam) podem ser um vício, aliás.
Recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento
automutilante: uma maneira de extravasar esse turbilhão emocional é se machucar, cortar,
furar ou queimar o próprio corpo. Ameaças de suicídio são frequentes e podem até ser feitas
da boca para fora, mas o sofrimento, às vezes, é tanto que a ideia de acabar com a própria
vida é concretizada, com o objetivo de “parar de sentir”. Ao contrário das pessoas que
planejam a própria morte e até deixam bilhete, é mais provável que no borderline a decisão
seja tomada de impulso.
Instabilidade afetiva devida a uma acentuada reatividade do humor: em português
claro, o borderline é como uma montanha-russa e a pessoa pode ir do céu ao inferno em
algumas horas. Momentos de prazer e alegria podem dar lugar a sintomas depressivos ou
ansiosos num mesmo dia. E a paixão intensa pode virar indiferença ou desprezo em uma
semana.
Sentimentos crônicos de vazio: é comum estar sempre em busca de “algo diferente” para
fazer na tentativa de aliviar o tédio e isso pode ser perigoso. O vazio existencial também
pode ser manifestado como desinteresse ou falta de propósito e não é incomum a pessoa
largar cursos, empregos e relacionamentos.
Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade em controlá-la: a pessoa se irrita com muita
facilidade, com reações desproporcionais ao estímulo, por isso é bem comum se envolver em
agressões físicas com o parceiro amoroso, a mãe, o filho ou até um desconhecido. Depois,
em geral, vem a culpa esmagadora, que só reforça a autoimagem negativa.
Ideação paranoide ou sintomas dissociativos transitórios: em situações
de estresse intenso, pode acontecer de a pessoa achar que é alvo de conspirações (paranoia),
ou então sair de si, perdendo contato com a realidade (distúrbio dissociativo). Mas esses
sintomas são transitórios, diferente do observado em transtornos como a esquizofrenia, por
exemplo.

Como é feito o diagnóstico?

Não existem exames de sangue ou de imagem que permitam o diagnóstico. O indivíduo deve ser
avaliado por um profissional de saúde mental qualificado, que irá analisar seu histórico e sintomas.
É importante saber diferenciar o borderline de outras condições, como transtornos mentais, efeitos
de drogas ou mesmo problemas de identidade, comuns na adolescência. Nos pacientes mais jovens,
a recomendação é que o diagnóstico só seja fechado após um ano com sintomas estáveis.
Comorbidades: duas condições ao mesmo tempo
Transtornos de personalidade são diferentes de transtornos mentais (como depressão, ansiedade,
transtorno bipolar, psicose etc), embora seja difícil para leigos e desafiante até para especialistas
fazer essa distinção, já que sobreposições ou comorbidades (existência de duas ou mais condições
ao mesmo tempo) são muito frequentes. Não é raro que o borderline desenvolva transtorno bipolar,
depressão, transtornos alimentares (em especial a bulimia), estresse pós-traumático, déficit de
atenção/hiperatividade e transtorno por abuso de substâncias, entre outros.

Borderline ou transtorno bipolar?

Esses dois transtornos podem se sobrepor, mas não é raro que um seja confundido com o outro. Os
sintomas do bipolar costumam aparecer em fases: o paciente tem um episódio de depressão grave
ou de mania (marcado por euforia, sentimentos de grandeza e comportamentos impulsivos). Há até
o chamado “estado misto”, mas cada episódio costuma durar algumas semanas.
Já no borderline, as oscilações de humor são muito mais rápidas, como estados flutuantes. Se o
bipolar pode ter alguns períodos de relativa estabilidade, no borderline as questões relativas à
autoimagem e aos relacionamentos, bem as outras características, estão sempre presentes. É
importante que o psiquiatra saiba distinguir os transtornos, pois os antidepressivos, que ajudam a
aliviar os sintomas do borderline, podem deflagrar um episódio grave de mania no bipolar, de
consequências desastrosas.

Causas do borderline

Assim como ocorre com outros transtornos de personalidade, não existe uma causa única para o
borderline. Os especialistas falam mais em fatores de risco, ou seja, condições que aumentam a
vulnerabilidade, mas nem sempre são determinantes para o surgimento do quadro. São eles:

  • Familiar: o transtorno é cerca de cinco vezes mais comum em parentes biológicos de
    primeiro grau de pessoas que sofrem com o transtorno. Também existe um risco familiar
    conhecido para abuso de substâncias e outras doenças mentais
  • Fisiológico: certas alterações cerebrais estão associadas a falhas no controle dos impulsos e
    alterações de humor
  • Ambiental: abuso físico ou sexual, negligência, conflitos e morte prematura de parentes
    próximos são comuns quando se analisa a infância de indivíduos com transtornos de
    personalidade. O uso de substâncias, como álcool e drogas, pode exacerbar os sintomas em
    quem já tem traços fora da média. Lesões cerebrais também podem aumentar a
    predisposição.

Jovens adultos sofrem mais

O paciente borderline sofre os períodos de instabilidade mais intensos no início da vida adulta.
Há situações de crise, ou maior descontrole, que podem até resultar em internações porque o
paciente coloca sua própria vida ou a dos outros em risco. Por volta dos 40 ou 50 anos, a maioria
dos “borders” melhora bastante, probabilidade que aumenta se o paciente se engaja no
tratamento.

Tratamento

Se uma pessoa com transtorno bipolar está num episódio de depressão ou de hipomania (alteração
de humor), ela vai voltar ao estado normal com o tratamento adequado. Já em um transtorno de
personalidade, os sintomas estão mais arraigados, digamos assim.
A personalidade envolve não só aspectos herdados, mas também aprendidos, por isso a melhora é
possível, ainda que seja difícil de acreditar no início. Se a psicoterapia é importante para ajudar o
bipolar a identificar uma virada e evitar perdas, no transtorno de personalidade ela é o carro-chefe
do tratamento.
Medicamentos ajudam a aliviar os sintomas depressivos, a agressividade e o perfeccionismo
exagerado, e são ainda mais importantes quando existe um transtorno mental associado. Os
fármacos mais utilizados são os antidepressivos (flluoxetina, escitalopram, venlafaxina etc), os
estabilizadores de humor (lítio, lamotrigina, ácido valproico etc), os antipsicóticos (olanzapina,
risperidona, quietiapina etc) e, em situações pontuais, sedativos ou remédios para dormir
(clonazepan, diazepan, alprazolan etc). Esses últimos costumam ser até solicitados pelos pacientes,
mas devem ser evitados ao máximo, porque podem afrouxar o controle dos impulsos, assim como o
álcool, além de causarem dependência.
Nas crises, o paciente deve contar com uma equipe multidisciplinar, montada de acordo com cada
caso e eventuais comorbidades. Ela pode incluir, além do terapeuta individual e/ou do psiquiatra,
profissionais como acompanhante terapêutico, enfermeiro e até nutricionista.

Tipos de terapia recomendadas para o tratamento de
borderline

Conheça algumas terapias que trazem resultados para esse tipo de transtorno, segundo os
especialistas consultados e a literatura científica:

  • Terapia focada em transferência: é um tipo de terapia psicodinâmica (de inspiração
    psicanalítica, que leva em conta a existência do inconsciente). Paciente e terapeuta
    conversam sobre tudo: acontecimentos recentes, antigos, a infância, os sonhos, tudo é
    assunto para estimular a fala e a reflexão. A automutilação é entendida como uma forma de
    usar o corpo para comunicar o sofrimento, por isso nomear os sentimentos é importante.
    Identificar os comportamentos destrutivos como uma forma de autoboicote é outro objetivo.
    O ideal é que as sessões ocorram duas ou três vezes por semana. Um modelo adaptado desse
    tipo de terapia é adotado em instituições como o Instituto de Psiquiatria do Hospital das
    Clínicas da Faculdade de Medicina da USP para pacientes borderline.
  • Terapia cognitivo-comportamental: a ideia é tomar consciência das sensações e padrões de
    pensamentos que estão por trás de comportamentos destrutivos, além de desenvolver
    estratégias para evitá-los. A terapia é mais prática, e envolve até lições de casa, com
    preenchimento de diários e treino de habilidades. De acordo com os especialistas, pode ser
    útil para o controle de certas comorbidades comuns entre os pacientes borderline, como
    transtornos alimentares ou uso de drogas.
  • Terapia comportamental dialética: desenvolvida especificamente para pacientes internados
    por automutilação ou suicídio, nos anos de 1980, hoje é considerado o tratamento para
    borderline que reúne melhores evidências científicas, segundo a Associação Americana de
    Psiquiatria e o grupo de revisões Cochrane. Inclui terapia individual (focada nos
    comportamentos autodestrutivos), acompanhamento por telefone e aulas em grupo para
    treino de habilidades, como atenção plena, regulação de emoções, tolerância ao estresse e
    assertividade nas relações (como dizer “não” sem ofender, por exemplo). O termo filosófico
    se refere, entre outros aspectos, à consciência de que, ao ser orientado para mudar, o paciente
    reage com a força dialética oposta, de querer ser aceito como é. A criadora da terapia, a
    americana Marsha Linehan, partiu do princípio, de inspiração zen, de que é preciso observar
    e aceitar, para, então, mudar. Ainda há poucos profissionais com a formação no Brasil, mas o
    número está em expansão.
  • Terapia familiar ou de casal: o foco principal é resolver conflitos no relacionamento que
    podem agravar os sintomas do borderline, melhorar a comunicação e ajudar os parentes ou o
    parceiro (a) a compreender melhor o transtorno, para melhorar o suporte ao paciente.
    Fazer o paciente se engajar no tratamento é um dos maiores desafios dos profissionais de saúde que tratam o borderline, uma vez que a culpa pelo sofrimento é atribuída aos outros. É comum o
    psiquiatra ou psicólogo ter de ir atrás ou pedir ajuda dos familiares para trazer o problema de volta às consultas ou sessões. Isso quando o próprio profissional não acaba desistindo, porque o paciente falta sem avisar ou é extremamente agressivo.
  • Autoboicote
    Embora este não seja um critério diagnóstico, é comum o borderline sabotar a si próprio. Por
    exemplo, ele abandona a faculdade a poucos meses de se formar, termina o namoro que parecia ter finalmente emplacado, e, claro, abandona o tratamento que podia dar certo. O próprio rótulo de borderline pode ser usado como um limitador. Os casos mais graves envolvem medicação pesada, pelo menos nas fases mais críticas, e os efeitos colaterais são outra razão para fugir do psiquiatra.

Borderline tem cura?

Ainda que o tratamento faça a diferença, não dá para dizer que o transtorno borderline vai
desaparecer da vida do paciente, como uma infecção resistente que finalmente é controlada com o
antibiótico certo. Se isso acontecer, é provável que o indivíduo não era borderline. Os especialistas
preferem falar em “pequenas curas que se somam”: as relações ficam mais estáveis, a tolerância à
frustração aumenta, a capacidade de reflexão se expande e controlar certos impulsos torna-se
possível. A vida fica produtiva e satisfatória.
Como ajudar alguém com o transtorno?
Incentivar a pessoa a buscar ajuda nem sempre é fácil e, muitas vezes, a família precisa levar o
borderline às sessões e participar da terapia, para saber administrar os conflitos. É importante que
os familiares e amigos saibam que o tratamento funciona, ainda que leve tempo. E o apoio deles é
fundamental durante o processo. Ao sair da crise, estabelecer um trabalho ou atividade também
colaboram para a socialização e autoestima do borderline.

O que fazer em uma crise de borderline?

Algumas crises podem ser contornadas em casa, com remédios e atendimento extra por parte do
terapeuta, quando já existe um profissional ou equipe que cuida do borderline. Ter o telefone ou email dessas pessoas é fundamental para saber o que fazer em uma emergência. Já se o paciente não
está em tratamento, deve ser levado ao pronto-socorro ou a um ambulatório de psiquiatria. Se
houver risco de vida ao paciente ou a outras pessoas, a internação pode ser necessária. Manter a
calma e já ter um roteiro discutido com a equipe ajuda muito nesses casos.

Fontes: Fernanda Sassi (médica coordenadora do ensino e assistência do ambulatório integrado
de transtornos de personalidade e do impulso do Ipq – HC/FMUSP) Erlei Sassi Jr.(psiquiatra,
coordenador do ambulatório integrado de transtornos de personalidade e do impulso do Ipq –
HC/FMUSP), Luiz Sperry (psiquiatra e psicanalista, autor do Blog do Luiz Sperry) Dan Josua
(psicólogo clínico com formação em Terapia Comportamental Dialética pelo The Linehan
Institute, nos Estados Unidos, autor do Blog do Dan Josua). Manual Diagnóstico e Estatístico de
Transtornos Mentais (DSM 5- Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders);
Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID10); Associação Brasileira de Psiquiatria.

E Até que idade?

No dia a dia com os filhos são tantas as decisões que os pais precisam tomar, que, muitas vezes, a insegurança bate nas situações mais corriqueiras, como, por exemplo, na hora do banho.

Pensando nisso, escrevi este post com a intenção de oferecer algumas referências sobre uma dúvida que parece ser bastante comum entre os pais: É possível tomar banho junto com o filho sem que isso represente uma experiência de constrangimento ou de excesso de intimidade tanto para os pais quanto para a criança?

Muitas vezes, até que o filho cresça o suficiente para que consiga ficar em pé, os pais costumam dar banho na banheira. A fragilidade do corpo da criança leva os pais a se manterem atentos, concentrados e a tocarem no corpo do filho com bastante delicadeza. Porém, com o tempo, os pais vão ganhando mais confiança na sua capacidade de cuidar do filho e também a criança vai crescendo e desenvolvendo um corpo mais firme. Aos poucos, então, alguns pais, quando percebem que a criança pode tomar banho no chuveiro, optam pela praticidade de tomar banho junto com o filho. Esse hábito é compreensível, uma vez que costuma ser mais fácil dar banho na criança quando se está junto com ela no chuveiro. Além disso, esses momentos podem proporcionar interações divertidas e afetivas tanto para os pais quanto para a criança!

Nesse período, portanto, tomar banho junto com o filho costuma ser um momento tranquilo e divertido, tanto para os pais quanto para as mães, independente do sexo da criança. Até por volta dos 4 anos de idade as diferenças anatômicas não despertam tanto a atenção da criança. Porém, a partir dessa idade é esperado que elas comecem a notar as diferenças entre o próprio corpo e o corpo do adulto, além das diferenças entre o corpo do homem e da mulher. Desse modo, de maneira espontânea, começam a perguntar sobre as diferenças que observam. Essa fase costuma tornar consciente para os próprios pais a naturalidade com que conseguem ou não tratar de temas relacionados à sexualidade. E, além disso, a curiosidade que a criança expressa, muitas vezes, faz com que os pais comecem a se questionar se deveriam continuar tomando banho junto com seus filhos.

Essa decisão é muito influenciada pelos valores de cada família. De qualquer maneira, é importante nessa fase prestar atenção tanto para as próprias emoções quanto às emoções da criança. Se as perguntas, os olhares da criança, ou se a experiência do banho e o contato com a nudez dos pais começam a despertar uma sensação de constrangimento, é possível que essa sensação revele que o limite da privacidade necessária entre as pessoas da mesma família esteja sendo ultrapassado. E, nessa situação, tanto a criança quanto os pais podem se sentir expostos e o constrangimento passa a se destacar nessa interação.

É importante explicar que a privacidade da criança precisa ser respeitada e esse cuidado acontece não só nos momentos do banho, mas em outras situações do dia a dia. Por exemplo, a criança pode se sentir invadida quando alguém tenta fazer por ela o que ela já é capaz de fazer por conta própria, como se limpar no banheiro sozinha. O cuidado com a privacidade da criança acontece também quando os pais se mantêm atentos e não expõem atitudes e confidencias das crianças para outras pessoas, o que evita que ela se sinta exposta de maneira recorrente. A repetição de experiências de exposição pode levar a criança a se sentir frequentemente constrangida e, com o tempo, a vergonha pode se generalizar para as outras relações. Por isso, o cuidado em evitar as experiências de constrangimento e vergonha são tão importantes!

Então, se manter atento ao possível constrangimento que a experiência de tomar banho junto pode causar na criança a partir dos 4, 5 anos de idade é um cuidado com a privacidade da criança que pode ajudar a evitar que a vergonha se torne recorrente nas suas experiências. E se os pais e os filhos sentirem falta da diversão que compartilhavam nesses momentos, é importante ter em mente que o crescimento da criança leva a uma necessidade de atualização constante na relação e inclusive na maneira de se divertir e de expressar afeto. Se nos primeiros anos de vida o afeto é essencialmente expresso pelos cuidados físicos, como o banho, com o tempo, o contato físico permanece importante, mas de uma nova maneira, como nos abraços, beijos, cafunés enquanto se assiste a um filme junto, por exemplo.

Além disso, a relação ganha novas possibilidades e o afeto pode ser vivido e demonstrado pelo interesse nas experiências que a criança se torna capaz de compartilhar, ou pelos novos passeios que se tornam possíveis de serem vividos na companhia da criança na medida em que ela conquista mais autonomia, entre outras possibilidades.

Essa abertura para a transformação na relação nos permite abrir mão de hábitos, como tomar banho juntos, que em um período da vida são muito divertidos e prazerosos, mas que se não forem atualizados podem dificultar o crescimento da criança.

Carla C. PoppaCarla C. Poppa

É psicóloga formada pela PUC-SP, fez especialização em Gestalt Terapia pelo Instituto Sedes Sapientae. É mestre e doutoranda em desenvolvimento infantil na PUC-SP.

TDAH tem relação com a Depressão?

O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é caracterizado, como o próprio nome indica, pela hiperatividade, desorganização, agitação, falta de atenção, impulsividade, entre outros. De acordo com estimativas, ele atinge de 3% a 6% das crianças em todo o mundo.

Importante lembrar que o TDAH não tem cura, mas existem tratamentos que procuram amenizar de forma considerável os efeitos do distúrbio. Por falar nisso, vocês sabem qual a relação do TDAH e da depressão?

 O que os estudos dizem a respeito?

Segundo levantamentos realizados, o número de pessoas com TDAH que também são diagnosticadas com depressão chega a 30% dos casos. Para se ter uma ideia da incidência dessa doença em crianças com TDAH, pesquisas revelam que os pequenos que convivem com o transtorno apresentam o risco de desenvolver a depressão três vezes mais do que aqueles vivendo sem esse mal.

Os estudos também afirmam que uma criança com TDAH e depressão pode manifestar mais comorbidades (doenças relacionadas) em comparação àquelas que são diagnosticadas somente com o TDAH. Os baixinhos com TDAH e depressão tendem a manifestar transtorno de ansiedade, fobia social, comprometimento social e escolar com mais frequência.

TDAH e depressão: duas maneiras de afetar um paciente

É preciso ressaltar que a depressão pode se manifestar de duas formas distintas na vida de uma pessoa. A primeira funciona da seguinte forma: a depressão se desenvolve como consequência dos impactos que o TDAH tem causado no dia a dia da criança ou jovem.

No entanto, existe a possibilidade de a depressão ter surgido paralelamente ao TDAH. Nesse caso, o quadro depressivo não vem como um fato consequente do transtorno em si.

Um detalhe que chama a atenção de especialistas é que se a criança desenvolver a depressão em decorrência do TDAH, a mudança no comportamento atua como um sinal de alerta. Isso facilita o diagnóstico da comorbidade. Porém, quando o pequeno convive com o distúrbio e a depressão simultaneamente, de forma paralela como mencionado, o que seria uma distinção pode ser confundido como um traço da personalidade, dificultando na hora de diagnosticar a doença.

 

Os sintomas do TDAH e da depressão podem confundir?

Na verdade, quando os médicos conseguem identificar a ocorrência de ambos na vida de um paciente, essa confusão não acontece. Porém, quando a depressão ainda não foi diagnosticada, as pessoas tendem a confundir os principais sintomas existentes entre ela e o TDAH, são eles:

– Desmotivação;

– Problemas para memorizar e raciocinar;

– Dificuldades para finalizar tarefas;

– Alterações de humor de maneira repentina.

Sobre o tratamento

As intervenções são aplicadas tanto separada quanto simultaneamente, a depender da demanda apresentada pelo paciente e da metodologia adotada pelo médico em questão. É preciso salientar que os tratamentos garantem bons resultados, trazendo qualidade de vida à criança, ao adolescente ou ao adulto que convive com o TDAH e a depressão.

Matéria retirada do site NeuroSaber